Povos Antigos

Wednesday, January 04, 2006

Convite

Os textos são “papers” que foram confeccionados quando eu estudava na 5ª e na 7ª série do Colégio Villa Lobos de Amparo. Todos os temas têm como referência principal os livros:

Schimidt, Mário Furley. Nova História Crítica – 5ª série, São Paulo, Editora Nova Geração, 2002.
e
Schimidt, Mário Furley. Nova História Crítica – 7ª série, São Paulo, Editora Nova Geração, 2002.

Convido vocês para a leitura e para os comentários...

Augusto Chrispim Mengalli Gilberti de Alencar

A Ascensão de Roma

O império romano foi um dos maiores da Antigüidade, nas conquistas impôs o idioma latino. Prova da afirmação é a presença do latim no italiano, francês, espanhol e português, podemos perceber variações no latim, haja vista que o latim que foi difundido era o falado pelos soldados.
A história da conquista romana se mistura com histórias fantásticas[1], todavia podem conter algo de verdadeiro, como, por exemplo, a “descoberta” de ruínas de uma aldeia que existiu no século VIII a.C., onde hoje está a cidade de Roma, bem no coração da Península Itálica.
Antes da ascensão romana, grande parte da Itália estava ocupada por outros povos[2], era governada por reis e controlada pelas grandes famílias de aristocratas[3], enquanto os plebeus livres não podiam participar da assembléia dos patrícios e do exército – com isso a riqueza continuava “nas mãos” dos patrícios.
Na Geografia podemos listar bons dados para a Itália, tais como: mais favorável à agricultura do que a Grécia; bom clima; planícies férteis; rios abundantes. Nas pastagens havia muitos rebanhos; nos campos, muitas uvas...
No contexto social e político, Roma esteve em situação difícil de ser administrada. Pretores[4], questores[5], censores[6] e edis[7] exerciam funções em prol dos ricos, contudo podemos perceber que os plebeus se revoltaram e depois tiveram os direitos[8] assegurados pelas leis do rei sérvio, Túlio.
A revolta da plebe poderia ser prejudicial aos patrícios, pois os exércitos poderiam ficar sem soldados e o governo sem impostos, fatos que poderiam ser o caos. Então, foi criado o cargo de tribuno[9] da plebe, todavia os direitos dos plebeus só foram respeitados quando as leis foram claramente estabelecidas num código escrito.
A principal conquista foi a não escravização de nenhum plebeu em decorrência de dívidas e o segundo ganho foi a queda da proibição do casamento entre plebeu e patrícios, no entanto é possível perceber que continuariam pobres.
A ascensão de Roma foi marcada por muitas batalhas e conquistas, principalmente em relação aos gregos, aos etruscos, aos gauleses e aos cartagineses. Os últimos custaram duas guerras e muitos discursos no Senado.
Os objetivos dos romanos nessas guerras continuavam os mesmos: dominar territórios, cobrar tributos dos povos dominados e escravizar os prisioneiros de guerra, com isso avançavam em direção a Grécia, a Ásia Menor, ao Egito, ao mar Mediterrâneo, as costas da Europa, da Ásia e da África. Após conquistarem os povos, os romanos tratavam de roubar o máximo de riquezas que podiam, em seguida, as províncias dominadas deviam pagar pesados impostos ao Estado romano. Além disso, os inimigos vencidos eram escravizados. Tudo isso era revertido para as grandes construções romanas e para os nobres.
Como a riqueza romana crescia, uma nova classe de ricos despontou: os cavaleiros[10], entretanto as classes mais baixas empobreceram e os escravos tinham uma situação péssima. Novamente as leis em benefício dos mais pobres, uma lei que limitava o tamanho da propriedade de terra, todavia não aprovada e seguida de grande massacre. Dessa forma os camponeses continuaram sem terra e os ricos mais ricos.
Roma depois de algum tempo passou a ser uma república, quem governava eram dois cônsoles, que eram eleitos por um ano pela Assembléia Popular chamada de Assembléia Centuriatra[11].
A queda do império e a ascensão da república permitiram mais riquezas aos que já possuíam bastante...

[1] Enéas foi um grande herói troiano que enfrentou muitas dificuldades até que alcançou o Lácio, uma bela planície na península Itálica. Mais tarde, o filho de Enéas fundou a cidade de Alba Longa. Um dia, a filha do rei de Alba Longa apaixonou-se pelo deus Marte e teve um casal de filhos com ele. Os filhos da princesa e do deus da guerra eram gêmeos e foram criados por uma loba que ouviu o choro dos bebês e se aproximou deles. Em vez de comer os meninos, a loba cuidou deles como se fossem filhos. Até que, um dia, os meninos foram descobertos por pastores, que deram os nomes de Rômulo e Remo para os garotos. Eles cresceram e se tornaram vigorosos. Mas não quiseram viver em Alba Longa. Resolveram, então, fundar uma nova cidade, mas para conquistar o poder, Rômulo assassinou o irmão Remo e deu seu nome para a cidade: Roma.
[2] Etruscos, gregos, latinos e itálicos.
[3] Donos dos maiores e melhores pedaços de terra, eram chamados de patrícios. Tinham os direitos assegurados em assembléia, mais tarde recebeu o nome de Senado.
[4] Cuidavam da justiça.
[5] Cuidavam dos gastos do governo dos cônsules.
[6] Faziam uma lista dos cidadãos e os dividiam de acordo com o nível de riqueza que possuíam, função importante, que determinava o domínio eleitoral dos patrícios. Os censores também vigiavam a conduta moral dos cidadãos.
[7] Eram policiais, mas também cuidavam do abastecimento público.
[8] Os plebeus podiam participar do exército e poderiam ter alguns direitos políticos.
[9] Os tribunos eram defensores do povo, eleito pelos plebeus. Eles tinham o direito de vetar algumas decisões dos cônsules.
[10] Em geral eram grandes comerciantes ou donos de muitos navios, que traziam mercadorias de todo o império.
[11] Assembléia em que votavam todos os cidadãos livres, no entanto os patrícios tinham direito a mais voto em relação aos plebeus. Os escolhidos - os guardiões da tradição - eram os membros do Senado. Essa Assembléia tinha 300 membros escolhidos entre os antigos magistrados. Fiscalizavam as finanças do Estado e decidiam sobre as questões de guerra e da paz, muito importantes para um povo guerreiro como os romanos.

A Cultura Grega

Berço da lógica, da filosofia e dos Jogos Olímpicos, a Grécia foi morada de muitos filósofos e matemáticos e, hoje, podemos perceber através das palavras da língua materna[1]: muitos radicais, prefixos e sufixos gregos, pois os gregos influenciaram a cultura romana.
Em tempos remotos, os gregos sabiam ler e escrever, contudo a imprensa era desconhecida – os livros eram escritos à mão em folhas secas de papiro e enrolados. Os poetas[2] escreviam sobre vários temas[3] e a obra era confeccionada para ser lida em voz alta para um grupo de pessoas, geralmente a leitura era acompanhada por música.
O teatro era outra atividade cultural grega. As primeiras peças[4] do teatro grego foram apresentadas nas festas religiosas em homenagem ao deus Dionísio, todavia os gregos também apreciavam as comédias[5]. Algumas peças tinham um teor obsceno, porém com humor inteligente. O teatro grego e a poesia de Homero são capazes de emocionar profundamente as pessoas até nos dias de hoje.
Podemos perceber que o povo grego era “dono” de um conhecimento vasto, pois tinham curiosidade e usavam a Ciência para “dar” as respostas. Embora, para eles, ter o conhecimento significava ter virtude, honestidade, coragem e bondade.
Nas ciências, os gregos contribuíram[6] muito, no entanto não foi só nessa área houve contribuições significativas. Aristóteles estudou milhares de tipos de animais e plantas e escreveu um livro chamado Órganon, que ensina o método para raciocinar corretamente.
Considerado por tal livro como o criador ciência da Lógica - que estuda as formas corretas de raciocinar - escreveu também sobre outros assuntos, tais como: Astronomia, Botânica, Filosofia, Física, História, Lógica, Poesia, Política, Teatro e Zoologia.
Na matemática, a geometria euclidiana é a base da engenharia, da ciência e da tecnologia. Sendo possível revelar a grandeza da civilização.
Sobre a história do povo grego, Heródoto foi considerado um grande historiador. Descreveu as guerras entre gregos e persas, viajou pelo Egito e pela Babilônia e descreveu o que viu e, às vezes, reproduziu o que ouviu[7].
Porém não havia um único historiador, Tucídides escreveu[8] a História da Guerra do Peloponeso, na qual descreve as causas e os acontecimentos do conflito entre Esparta e Atenas.
Na medicina, os médicos gregos se consideravam discípulos do grande Hipócrates[9] e como herança grega, hoje em dia, em todas as faculdades do mundo, os médicos recém-formados repetem tradicionalmente o célebre Juramento[10] de Hipócrates.
A filosofia era uma fonte próspera de saber, muito foi questionado. Os primeiros filósofos tentavam explicar como as coisas eram feitas, outros formavam opiniões quanto a composição das coisas, denotando uma atitude racionalista e significativa. Havia, ainda, quem acreditasse que tudo era feito de partículas de matéria tão pequenas que não podiam ser divididas: os átomos.
Na política, eram valorizadas as pessoas que tinham a habilidade de falar bem e convencer as outras pessoas. Devido aos debates, houve o surgimento de uma corrente filosófica conhecida como sofista[11].
Essa corrente foi severamente combatida por Sócrates, que foi condenado a beber cicuta[12], pois alguns dos “alunos” dele começaram a duvidar das instituições gregas e a questionar o Estado. Então, o governo de Atenas acusou Sócrates de “corromper a juventude”. O mais importante discípulo de Sócrates foi Platão que escreveu vários livros em forma de diálogos, o principal livro foi “A República”[13].
Teve como principal discípulo, Aristóteles[14], que após a morte dele, o mundo pôde conhecer outras correntes de pensamento, tais como: hedonistas[15], epicuristas[16] e estóicas[17]. Os céticos - também chamados de pirrônicos – acreditavam que não era possível encontrar verdade nenhuma, que tudo é duvidoso e que o ser humano jamais terá certeza de alguma coisa.
A condição da mulher na Grécia antiga variou bastante dependendo da época, da cidade-estado e da classe social. É sabido que as mulheres espartanas tinham mais liberdade do que as atenienses.
A arquitetura grega ainda é imitada nos dias atuais, no entanto sabemos que os gregos foram influenciados pelos egípcios. Assim é a História, um povo influencia outro, quer seja em tempo de guerra, quer seja em tempo de paz.

[1] A língua portuguesa é derivada do latim que se “apropriou” das palavras da língua grega (antiga).
[2] O mais importante dos poetas gregos foi Homero, autor de dois longos livros de poemas, a Ilíada e a Odisséia.
[3] Desde o amor até o heroísmo no campo de batalha, em geral, revelavam o sentimento da comunidade.
[4] Os três autores mais destacados foram Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Suas obras, escritas no século V a.C., eram chamadas de tragédias, e a maioria delas tinha final triste. O enredo das peças gregas sempre tratava de lendas conhecidas por toda a platéia.
[5] O maior escritor de comédias teatrais foi Aristófanes.
[6] No estudo da Geometria formularam o célebre Teorema de Pitágoras. Euclides foi o responsável pelos teoremas da Geometria euclidiana. Arquimedes comprovou que uma alavanca pode multiplicar o efeito da força de um homem e descobriu o motivo pelo qual um navio muito pesado flutua no mar. O sábio Eratóstenes mostrou que a Terra é redonda e Aristarco de Samos foi o primeiro a dizer que o Sol é bem maior que a Terra e que ela gira em torno dele.
[7] O que o levou a narrar algumas coisas de forma exagerada.
[8] Em nenhum momento Tucídides tenta explicar os acontecimentos a partir de alguma força divina. Ele busca as causas nos próprios acontecimentos. Uma grande demonstração de racionalismo científico.
[9] Viveu no século V a.C. e escreveu livros de Medicina respeitados em toda a antiguidade. Racionalmente, Hipócrates ensinou a observar os sintomas para diagnosticar a doença.
[10] Prometem se dedicar a salvar vidas sem obter vantagens especiais por causa disso.
[11] Os sofistas eram muito hábeis no discurso e chegavam a cobrar caro de quem quisesse aprender suas técnicas de falar em público. Por causa disso, sofisma passou a ser sinônimo de um raciocínio incorreto, de uma frase aparentemente lógica, mas que na verdade está enganando as pessoas. O maior crítico dos sofistas foi Sócrates (470-399 a.C.). Esse filósofo nunca escreveu nada, tudo o que sabemos dele foi contado nos livros de seus discípulos, principalmente por Platão.
[12] Um veneno mortal.
[13] Defendia a criação de uma sociedade em que o Estado controlaria tudo e faria cada cidadão se dedicar à atividade em que mostrasse mais talento.
[14] Trabalhou como preceptor de Alexandre da Macedônia, que tinha muito carinho pelo mestre.
[15] Os filósofos Hedonistas defendiam que a felicidade está na vida de prazeres.
[16] O filósofo Epicuro também defendia o prazer, mas ele achava que a felicidade só seria alcançada através dos prazeres superiores: o estudo, a amizade de homens de bem, a apreciação da arte e das belezas da vida.
[17] Acreditavam que a felicidade estaria no controle dos próprios desejos e na distância em relação aos prazeres. Para eles o homem virtuoso seria capaz de suportar tranqüilamente os sofrimentos da vida.

A Grécia Antiga

Na atualidade, podemos verificar que a tecnologia utiliza a lógica[1], contudo somente os humanos são capazes de aprender a raciocinar corretamente e são eles que programam as máquinas para que elas funcionem de maneira satisfatória.
Essa ciência de que escrevo foi criada em um tempo em que a tecnologia não era programada, a mais de 2.500 anos, em um pedacinho da Europa, pelo povo grego[2], a Matemática e as Ciências tiveram o seu berço na Grécia, todavia o pensamento racional não era a única fonte de mérito, esse povo também teve muitos artistas excepcionais.
Todo esse avanço e criatividade se deveram a questões geográficas[3], então, esses povos, para sobreviver, precisavam, além do esforço, utilizar a inteligência. A Grécia era mais extensa que hoje e várias colônias[4] foram fundadas.
A Grécia teve como primeira economia a agricultura[5]- se baseava na produção de camponeses que eram proprietários de pequenas fazendas. Mais tarde, os gregos se ocuparam com a navegação e o comércio de produtos, como, por exemplo, o artesanato de cerâmica, o azeite e os vinhos que eram produtos de bom nível e eram vendidos para vários povos estrangeiros, concorrendo para a criação de moedas. Tudo isso porque o solo era pouco fértil em algumas regiões.
Concomitante, praticavam a pesca, haja vista que os peixes eram preferência na alimentação, tal qual o queijo, que era feito a partir do leite de cabra.
A origem primeira do povo grego, segundo os estudiosos, surgiu na ilha de Creta - se desenvolveu a civilização minóica[6], ou seja, cretense – em seguida o território começou a ser ocupado por povos vindos da Ásia[7], formando a civilização micênica, muito parecida com a cultura de Tróia[8], que por volta de 1250 a.C. os gregos venceram os troianos na célebre “Guerra de Tróia”. Entretanto como a civilização ainda estava se formando, haveria muito mais mistura, por exemplo, a invasão dos dórios[9], por volta de 1200 a.C., os jônios[10] e os fenícios[11]. Fatos muitas vezes contados por poetas antigos – quem mais se destacou para os gregos foi Homero[12].
Muitas batalhas foram travadas, dessa forma era importante ter um exército, entretanto eram necessárias outras estratégias, então, houve, em um determinado período, uma importante mudança nos exércitos[13] gregos e que mais tarde serviu de referência a para o sistema democrático.
Na democracia, o povo queria participar[14] das decisões da comunidade, inclusive os soldados, entretanto a Grécia não era um país unificado[15], era dividida em pólis ou cidades-estado, que tinham características mais ou menos semelhantes[16]. Tebas e Corinto mais se destacavam, porém Atenas e Esparta[17] eram as mais importantes.
Esparta era uma cidade-estado voltada para a agricultura – havia terra fértil - e tinha como classe dominante os esparciatas[18]. Os espartanos com mais de 30 anos de idade tinham posse das terras do Estado, havia grande igualdade. Todos eram militares e guerreiros, que tinham parte das necessidades básicas supridas pelos periécos[19] e pelos hilotas[20]. A educação era prioritária[21] e seguida com bastante rigor.
Ao contrário de Esparta, Atenas assumiu a liderança naval e tinha destaque no campo do conhecimento ou das artes. Ficou célebre pela vida cultural e pelo regime político democrático[22]. Havia na cidade muitos filósofos, geômetras, poetas, dos autores de teatro ou escultores, dessa forma ficou conhecida por pensadores e artistas. No entanto a vida não era só flor, insatisfações[23] também faziam parte da vida ateniense.
Atenas por acreditar na força da marinha, foi uma das centenas de cidades gregas do Mar Egeu que se uniram para formar a Liga de Delos[24] e que mais tarde afirmou a hegemonia, tinha o Porto do Pireu[25] ligado a ela e com os impostos conseguidos no porto, Péricles[26] reconstruiu Atenas (destruída pelos persas) e mandou erguer edifícios e templos[27] maravilhosos.
Rivais, Atenas e Esparta buscavam reconhecimento, lutaram[28] por dez anos e Esparta venceu, contudo quem se destacou foi Tebas, quando as tropas tebanas entraram na luta e chegaram a ocupar a entrada de Esparta. No final, as cidades-estado gregas estavam muito debilitadas.
O enfraquecimento era uma conseqüência muito perigosa, pois facilitava que outros povos pleiteassem uma invasão, como foi o caso da invasão pelos macedônios[29], todavia as conquistas militares de Alexandre da Macedônia espalharam a cultura grega por vários países do Oriente e com o encontro das culturas orientais com a cultura grega “produziu” a cultura helenista[30].
As guerras “faziam” escravos os povos derrotados. Na Grécia, o Estado era dono de escravos, que faziam parte da mão de obra que era utilizada nas obras públicas, no entanto houve uma inversão na Jônia[31], os gregos passaram a ser escravos dos persas. Também os romanos escravizaram os gregos, todavia a cultura grega influenciou a romana e se espalhou pela Europa e uma parte da Ásia e da África.
Na religião, os gregos faziam várias festas, a mais importante acontecia em Olímpia, onde ocorriam os Jogos[32] Olímpicos, havia uma prova que simbolizava o mensageiro[33] que anunciava a vitória.
Religião e cultura estavam juntas, muitos mitos[34] - poesia e formas de pensamento que ajudavam os gregos a compreender o Universo e a condição humana – e deuses[35] figuravam as histórias gregas.

[1] A ciência que estuda o raciocínio.
[2] Talvez nenhum povo da Antiguidade ocidental tenha valorizado tanto a lógica e o raciocínio. Por isso já se disse que “a razão é grega”.
[3] O clima era até agradável, o inverno não era muito frio e verão era ameno.
[4] Cidades gregas que se desenvolviam fora do território grego e se localizavam na costa da Ásia Menor, nas ilhas próximas, pelas praias e portos do Mar Negro, pela Sicília e sul da Itália e até na Espanha estavam presentes.
[5] Os gregos cultivavam vinhas, oliveiras e cereais como trigo e cevada. Também plantavam ervilha, lentilha, alface, nozes e alho.
[6] Ela atingiu seu esplendor máximo entre 2000 a.C. e 1600 a.C. No começo do século XX os arqueólogos desenterraram a antiga cidade de Cnossos, a mais importante civilização cretense. Nessas escavações arqueológicas já foram encontrados objetos egípcios, contudo também foram encontrados objetos gregos em sítios antigos na França e na Rússia.
[7] O mais destacado desses povos era o dos aqueus.
[8] Ficava num lugar em que os gregos chamavam de Helesponto, na Ásia Menor.
[9] Povo violento que incendiou as cidades micênicas, escravizou os habitantes e destruiu tudo que não podia aproveitar. Só não conseguiu tomar a cidade de Atenas, que já começava a se destacar. Não possuíam nenhum sistema de escrita, dessa forma o período em que governavam foi conhecido como “Idade das Trevas”.
[10] Misturaram-se com os habitantes da Ática, que era uma região onde se encontrava Atenas. Pareciam mais pacíficos que os dórios.
[11] A partir do século X a.C., os comerciantes fenícios tiveram contatos com a Grécia. A influência mais destacada foi a escrita: o alfabeto grego era baseado no alfabeto fenício.
[12] Alguns estudiosos acham até que ele se quer existiu. Os gregos acreditavam que Homero tinha sido o autor de duas obras poéticas da Antiguidade: A Ilíada e a Odisséia.
[13] A estratégia anterior que se baseava no combate individual - havia heróis – mudou para a luta em falange, isto é, caminhando um do lado do outro em linha. Esses soldados da falange eram chamados de hoplitas – trabalhavam em equipe, então, havia organização coletiva.
[14] O filósofo Aristóteles dizia que “o homem é um animal político”.
[15] Não existia uma capital nem um governante com poder sobre todo o território, os gregos não constituíam um império.
[16] Eram cercadas por terras com campos cultivados, pastos, florestas e casas de camponeses. Produziam artigos de artesanato, realizavam as cerimônias religiosas e os cidadãos se reuniam numa assembléia para decidir os assuntos públicos (Eclésia).
[17] Tinha o nome de Lacedemônia, era um caso especial de cidade-estado, pois além de ter terras próprias, dominava outras cidades e territórios gregos vizinhos, um sonho espartano - entender a influência sobre todo o Peloponeso.
[18] Chamados de homoioi (em grego: “iguais”).
[19] Eram homens livres que moravam próximo da cidade de Esparta e tinham de pagar impostos aos esparciatas. Ocupavam-se com a agricultura, com o comércio e com o artesanato.
[20] Não chegavam a ser escravos, mas também não eram livres. Eram forçados a trabalhar nas terras dos espartanos.
[21] Existiam escolas especiais – ginásios - para meninos dos sete aos dezoito anos. Lá aprendiam ginástica, esportes, como lançamento de dardos e lutas, e a manejar armas. Vestiam roupas leves no inverno, comiam pouco e apanhavam bastante. Tudo isso para que ficassem rígidos como o ferro, a fim de suportar o sofrimento físico. O objetivo maior era a disciplina e a habilidade militar. Já as meninas espartanas estudavam em escolas especiais para mulheres - aprendiam música e ginástica – pois o objetivo era que se tornassem boas mães.
[22] O regime democrático ateniense foi admirado por todos, pois o povo não se submetia aos caprichos de reis ultrapoderosos, a decisão pertencia a toda coletividade de cidadãos, desde que pertencesse a minoria que emitia opinião. Tanto a liberdade como a democracia em Atenas contribuíram bastante para o esplendor cultural da cidade. As reformas de Sólon foram um passo importante para a democracia ateniense, anos mais foram adotadas as reformas de Clistenes - acabaram com os privilégios políticos da aristocracia - os cidadãos atenienses podiam participar das decisões do Estado. Palavra do grego antigo – poder do povo.
[23] A insatisfação dos pobres resultou em revoltas. O arconte (espécie de governador) Sólon promoveu importantes reformas sociais, a fim de acabar com as revoltas. Decretou a anulação das dívidas dos camponeses, libertou os antigos escravos por dívida e proibiu esse tipo de escravidão.
[24] Os membros doavam navios ou dinheiro e, no começo, tinham os mesmos direitos. Dessa forma a liga tinha uma grande frota de navios para comércio e para guerra. Mais tarde, o “tesouro” da liga foi transferido da ilha de Delos para Atenas, pois embora a liga tivesse derrotado os persas não conseguiram a união para a continuidade.
[25] Era o mais rico da Grécia, lá, muitos navios aportavam e, por conseguinte, eram obrigados a pagar impostos. Essa riqueza de Atenas foi aproveitada pelo governo de Péricles.
[26] Ele foi o grande líder da democracia ateniense. Homem culto, inteligente, ótimo orador, Péricles era admirado pelos atenienses. As propostas eram sempre aprovadas pela Assembléia Popular que governava a cidade-estado. Péricles era amigo e protetor de artistas, poetas e filósofos.
[27] O mais famoso deles era o Partenon, um templo dedicado a Atena, deusa da sabedoria e protetora da cidade.
[28] Atenienses e espartanos lutaram por dez anos na Guerra do Peloponeso, os espartanos ocuparam a cidade de Atenas, mas tiveram muitas perdas.
[29] Vieram da Macedônia - um reino que ficava no norte da Grécia. Falavam grego e descendiam de povos que tinham ocupado a Grécia. Derrotaram os tebanos e os atenienses.
[30] O helenismo foi uma continuação da cultura grega. O principal centro de cultura helenista foi a cidade de Alexandria, localizada no Egito.
[31] Os jônios foram obrigados a pagar pesados impostos aos persas, e muitos de seus habitantes foram escravizados. Algumas cidades tentaram se revoltar, mas foram brutalmente punidas pelos invasores, que cortavam fora as cabeças dos chefes gregos rebeldes. Houve, mais tarde, a célebre batalha de Salamina.
[32] Havia festivais de poesia e de música. Para os gregos, o corpo sadio deveria estar unido a mente sadia.
[33] Logo depois do triunfo na batalha de maratona, o general grego Milcíades ordenou que um mensageiro fosse a pé até Atenas para anunciar a vitória. O rapaz correu cerca de 42 quilômetros.
[34] O mais famoso herói da mitologia grega foi Héracles, a quem os romanos chamavam de Hércules, mas havia outros heróis com, por exemplo, Perseus. Inclue-se nas histórias o deus Zeus e o deus Hefaísto.
[35] Zeus: rei dos deuses; Hera: protegia o casamento, o que era irônico, porque Zeus a traia com diversas mulheres mortais; Poseidon: irmão de Zeus e deus dos oceanos; Hades: outro irmão de Zeus e deus do mundo subterrâneo; Palas Atena: deusa da sabedoria; Apolo: deus da luz, do uso do raciocínio claro, da harmonia do equilíbrio e da verdade; Ártemis: protetora dos animais jovens e dos caçadores; Afrodite: deusa do amor; Ares: deus da guerra; Hefaísto: deus do talento; Hermes: mensageiro dos deuses; Dionísio: deus do vinho, das festas, do exagero, da bebedeira, da loucura e da comilança.

A Mesopotâmia

A Mesopotâmia[1] é uma região de planícies no Oriente Médio entre os rios Tigre e Eufrates. Todos os anos, o Tigre e o Eufrates transbordavam e a água invadia uma extensa área, dessa forma alguns historiadores podem inferir que o grande “dilúvio universal” aconteceu em uma dessas épocas e na memória do povo, teria acontecido, então, o que muito se narra na Bíblia.

Quando o nível dos rios voltava ao normal, ficava uma grande região coberta de lodo. Esse lado fertilizava as terras das margens dos rios, tornando-as muito boas para a agricultura e para desenvolver pasto. A água dos rios ficava retida em pântanos. Na água parada dos pântanos nasciam mosquitos que transmitiam doenças perigosas. As pessoas tinham de drenar os pântanos, cavar canais para levar a água para irrigar outros terrenos. Essas obras hidráulicas já eram realizadas antes de surgirem os primeiros Estados na região.

Os objetos, nessa época, eram confeccionados com cobre, quase mil anos depois é que foi descoberto o bronze, contudo a roda passou a ser usada na Mesopotâmia.

Havia muitos povos na Mesopotâmia. Os mais antigos foram os Sumérios
[2], que construíram as primeiras cidades da região. Cada uma delas tinha seu próprio governo. Por isso dizemos que eram cidades-estados[3]. Do lado das cidades, ficavam os campos cultivados por famílias de camponeses e pelos escravos.

A Babilônia era uma grande cidade-estado localizada perto do encontro entre o Tigre e o Eufrates. Por ela passava muitos mercadores carregando produtos do Oriente para o Ocidente. O rei Hámurábi
[4], que tinha um código[5], era o rei mais importante da Babilônia.
Contudo, cerca de duzentos anos depois, os hititas
[6] saquearam a Babilônia com armas feitas de ferro e carruagens com cavalos. Esse episódio levou cerca de dois milênios e meio em relação aos objetos que eram confeccionados com cobre e mais de um milênio em relação aos objetos confeccionados com bronze.

Os Assírios
[7] também viviam na Mesopotâmia e falavam um idioma parecido com o babilônico. O mais famoso rei assírio foi Assurbanipal[8]. Em 911 a.C. houve a supremacia dos assírios, no entanto o império, aos poucos, foi se enfraquecendo[9]. Quando derrotado pelos caldeus e medos[10], o famoso rei Nabucodonosor mandou construir grandes palácios feitos de tijolos cimentados com breu, dotados de grandes portões de cobre. Para agradar a esposa, ele ordenou que se construíssem os magníficos Jardins Suspensos da Babilônia. Ele também ordenou que levantassem um enorme zigurate[11] “para alcançar o céu”, que a Bíblia chamou de Torre de Babel. Mas nenhum império da Antiguidade durava para sempre. Em certo momento aparecia um povo mais forte para destruí-lo. Um exemplo era que, embora o povo judeu, nos últimos seiscentos anos, estivesse sob o domínio babilônico, os Persas dominaram a Babilônia quase cem anos depois.

Resumindo os fatos, podemos relatar como realidade que os criadores da cultura mesopotâmica foram os sumérios e acrescentar que os babilônicos e os assírios aprenderam com eles e os imitaram em muitas coisas.

Na religião, politeísta
[12], os povos da Mesopotâmia acreditavam que havia deuses que comandavam as forças do Universo e o destino dos homens, entretanto, acreditavam que não havia vida após a morte. Todavia a religião[13] era uma extensão da política e vice-versa. Alguns historiadores atuais conhecem placas de barro sumérias do século XXIV a.C., que contém inscrições de que o poder dos reis foi dado pelos próprios deuses. Isso denota que eram povos místicos, porém muito contribuíram para as ciências.

A ciência na Mesopotâmia tinha feito muitos progressos, um que se assemelha com a nossa civilização é o calendário com doze meses, todavia não era só esse avanço que os caldeus tinham, também observaram os movimentos dos astros e com isso criaram e desenvolveram a Astrologia
[14], entretanto só conseguiam visualizar cinco planetas.

Na matemática, os povos da Mesopotâmia muito contribuíram, haja vista que podemos compreender determinadas soluções por fórmulas descobertas graças aos empenhos desses povos. Citando as fórmulas, podemos acrescentar que o zigurate foi construído usando soluções matemáticas. Já na área dos documentos, temos o sistema de escrita[15] cuneiforme[16] que pode ser o mais antigo da humanidade.

[1] Era uma região atravessada por muitos povos guerreiros. Por isso nenhuma civilização durava muito tempo.
[2] O rei Sargão da Arcádia (norte da Suméria) inicia a conquista e união da Mesopotâmia.
[3] As cidades-estados eram rivais. Volta e meia estavam em guerra umas com as outras. Aquela que vencia tomava as riquezas e as terras dos inimigos, e os derrotados sobreviventes eram transformados em escravos.
[4] Por volta de 2000 a.C. por intermédio da guerra, ele comandou a conquista das cidades Sumérias. Todos pagavam impostos para a Babilônia, que se tornou a cidade mais importante da Mesopotâmia. Os escravos não eram muito numerosos. A maioria era de mulheres, utilizadas nos serviços domésticos.
[5] Era um conjunto de leis criadas pelo rei e que estabeleciam o domínio da nobreza babilônica. Uma das coisas mais notáveis da civilização babilônica foi a criação dos códigos de Hámurábi. O código era uma lista de leis que determinavam como deveriam viver os habitantes do reino. A principal idéia do código de Hámurábi era a do “olho por olho, dente por dente”. Mas essas leis só valiam para as pessoas do mesmo grupo social. Se fosse em relação a um grupo social inferior, a pena seria branda. Por exemplo, se um homem construísse mal um canal e inundasse as terras do vizinho, deveria pagar pela colheita destruída pelo alagamento.
[6] Que vieram de Hattushash – hoje Turquia.
[7] Eram guerreiros terríveis. Suas armas de ferro eram superiores as dos outros povos, e com isso, conquistaram a Mesopotâmia e atacaram até as fronteiras egípcias e os judeus na palestina. Os Assírios eram famosos pela crueldade com que tratavam os adversários derrotados nas batalhas.
[8] Ele mandou construir a primeira biblioteca do mundo na capital do reino, a cidade de Nínive. Essa biblioteca era formada por milhares de tijolos com escritos cuneiformes. Os livros de tijolo contavam lendas e trechos da história do reino, continham leis e acordos comerciais entre pessoas. Hoje ainda restam alguns tijolos, que são estudados pelos historiadores. Não é difícil entendermos por que os pobres, os escravos e os povos dominados estavam sempre se revoltando contra os nobres assírios.
[9] Os caldeus, que eram descendentes dos antigos babilônicos, destruíram a cidade de Nínive. Depois que os caldeus derrotaram os assírios, a Babilônia voltou a ser a cidade mais importante da Mesopotâmia.
[10] Persas.
[11] Era uma espécie de pirâmide cortada e encaixada em outras pirâmides fatiadas, parecia uma montanha construída pelo homem. Era um dos principais tipos de construção dos povos da Mesopotâmia
[12] Tinha vários deuses.
Observando - para esses povos os deuses eram muito poderosos e podiam desgraçar a vida humana.
[13] Os sacerdotes eram funcionários do Estado.
[14] Os astrólogos caldeus acreditavam que podiam prever o destino de uma pessoa e de um povo observando os movimentos dos astros no céu.
[15] Foi inventada na cidade de Ur, por volta de 3500 a.C..
[16] Em forma de cunha. Com um palitinho, a pessoa cunhava os símbolos na argila ainda macia.
Observando - Hoje existem cerca de 25 mil fragmentos escritos conservados.

A Pré-História

O surgimento do Universo data de 14 bilhões de anos, porém os astrônomos procuram provar que há 18 bilhões de anos começou uma grande expansão do Universo, uma explosão, daí o nome Big Bang. Contudo a Terra “nasceu” há 4 (quatro) bilhões e 600 milhões de anos e se resfriou a aproximadamente 1 bilhão de anos.

Nessa época, os pesquisadores afirmam que o nosso planeta já tinha rochas, oceanos e chuvas e as primeiras formas de vida na terra eram muito simples, cogita-se que eram criaturas de uma única célula que se espalhavam pela lama e pelos mares há 3 (três) bilhões e 500 milhões de anos atrás.

Também há milhões de anos existiram animais e plantas que se tornaram fósseis, isto é, restos petrificados que foram cobertos por areia ou lama que foram trazidas pela água ou pelo vento e, hoje, são estudados pela paleontologia, por isso podemos saber sobre a evolução da Terra.

Durante a evolução da vida na Terra, as gerações de criaturas unicelulares foram se transformando em animais mais complexos e maiores. Há 600 milhões de anos, os oceanos já eram habitados por plantas e pequenos animais invertebrados, muito diferentes dos que existem hoje. Uma observação importante é que a maioria dos animais primitivos não existe mais, pois não conseguiram sobreviver por causa das mudanças climáticas, da disputa por comida e dos ataques de outros animais.

A Teoria da evolução das espécies do cientista inglês Charles Darwin (1809-1882) começa a explicar como surgiram tantos animais, vegetais, bem como outros seres vivos que existem e conclui que somos “parentes” dos macacos, porque temos um ancestral comum – que viveu há 7 (sete) milhões de anos.

Embora os primatas[1] tenham surgido há cerca de 32 milhões de anos, nos dias atuais, os macacos e os seres humanos são considerados primatas. Os antepassados dos últimos são chamados de hominídeos[2], que foram substituídos por hominídeos mais evoluídos. Um deles era o Homo habilis[3] que deu origem ao Homo erectus[4], que, pelas pesquisas, nos leva a concluir que ele controlava o fogo.

Seguindo a escala da evolução, temos o Homem de Neanderthal[5] que conviveu com outra espécie de hominídeo, o Homo sapiens[6]. O primeiro desapareceu, restando o segundo, que é a espécie a que nós pertencemos.

A primeira grande descoberta humana foi a criação de ferramentas[7] de pedras e ossos, depois a invenção do arco e da flecha. Podemos inferir que há uma priorização da caça, enquanto a família ainda não era monogâmica[8] e as mulheres não sabiam quem eram os pais dos filhos que elas geravam, as crianças eram criadas por todo o bando.

Outro dado que temos sobre o período em que o homem confeccionou as primeiras ferramentas é que se chamava Idade da Pedra, porém como as ferramentas eram feitas de outros materiais[9], acreditamos que o nome não seja tão correto.

Segundo as pesquisas, o Homo sapiens criava cabras e aproveitava o couro e o leite, depois também conviveu com outros animais[10]. A agricultura “fez” com que os bandos humanos que eram nômades[11] se tornassem sedentários[12], também modificou os hábitos dos homens de outrora[13], pois eles se dedicavam exclusivamente a caça e a coleta.

Mais tarde, aprenderam a pegar fibras de uma planta chamada linho e fazer redes de pesca, depois, com a delicadeza e o aperfeiçoamento, começaram a confeccionar os primeiros tecidos dessa planta e a seguir de algodão e lã.

As primeiras grandes civilizações surgiram na beira dos rios, pois eram fundamentais para a agricultura e foi na Mesopotâmia que surgiu uma grande invenção: o arado e se cultivava trigo e cevada. Na China, arroz e no México, milho.

Mas a grande invenção que, segundo alguns historiadores, marcou o fim da Pré-História, foi a invenção da escrita, mas outras invenções fazem parte da História, como o bronze[14], por exemplo, com ele eram confeccionados facas, espadas, capacetes, machados, escudos e pontas de lança, que em uma “guerra” eram armas que “venciam” as de osso, madeira ou pedra. O ferro, outra descoberta, no entanto, “levava” vantagem[15] em relação ao cobre.

A América também teve Pré-História, pois vários povos asiáticos passaram pela Sibéria[16], atravessaram o Estreito de Bering e pisaram onde hoje está o Alasca e algumas comunidades passaram a se organizar na América Central. No Piauí também foram encontrados vestígios da presença humana.

Essa é uma hipótese de vinda dos primeiros seres humanos para a América, mas não se descarta a possibilidade da vinda desses povos remando os seus barcos da Oceania e da Ásia, por enquanto só há hipóteses para a vinda dos primeiros povos para a América, bem como a escrita desse paper que se destina a escrever os fatos de grande relevância para a Pré e para a História que estavam contidos no livro abaixo citado.

[1] Mamíferos com capacidade de agarrar as coisas com a mão.
[2] Há dois milhões de anos havia três ou mais espécies de hominídeos.
[3] Do latim “homem habilidoso” – um hominídeo de cérebro um pouco maior que o do australopiteco e que já fabricava ferramentas.
[4] “Homem em pé” – tinha um cérebro maior e foram encontrados na Ásia e mais tarde na Europa.
[5] Tinha o cérebro e a aparência física parecida com a dos homens atuais.
[6] “Homem sábio” que surgiu na África a aproximadamente 200 mil anos.
[7] Facas, machados, pontas de lança, martelo, entre outras ferramentas.
[8] Família de uma só esposa.
[9] Madeira e osso.
[10] Cães, carneiros, touros, vacas, burros, entre outros animais.
[11] Nunca se fixavam muito tempo numa área.
[12] Fixavam-se num lugar para se dedicar à agricultura.
[13] Em outro tempo; antigamente.
[14] Mistura de cobre e estanho.
[15] Era resistente, flexível e mais leve.
[16] Rússia.

O começo da História

A desigualdade entre os homens deve ser recente em relação à Pré-História, pois o Homo sapiens existe há mais ou menos 2000 anos e por dezenas de milhares de anos os homens e mulheres viveram em comunidades[1]. Naqueles tempos não havia propriedade privada[2]. O trabalho devia ser feito em cooperação[3].

Depois de milhares de anos vivendo igualitariamente, muitas sociedades antigas começaram a apresentar profundas desigualdades sociais. Essas mudanças foram causadas por diversos fatores. Um dos fatores, a necessidade de dividir as tarefas da comunidade. A divisão do trabalho era ótima para desenvolver as forças produtivas. O problema é que, com o tempo, os dirigentes da comunidade começaram a acumular muito poder. Só uns tinham o direito de pensar e de dar ordens aos outros. Começava aí a diferença entre os que mandavam e os que obedeciam. Os laços comunitários começaram a se dissolver. Em vez da cooperação, cada um só pensava em si mesmo. Assim, algumas famílias começaram a ter muitas terras e bens enquanto as outras tinham muito menos para sobreviver. Começava aí a diferença entre ricos e pobres.

Tudo isso sabemos graças aos arqueólogos[4], também, graças a esse profissional sabemos que a agricultura foi uma das maiores invenções[5] da história da humanidade. Porém foi uma atividade que com os anos precisou ser modificada, ou seja, necessitou de soluções mais elaboradas[6], pois as comunidades começaram a crescer, era preciso construir canais para levar a água dos rios até as plantações[7].

Houve uma necessidade maior de conseguir alimento para tantas pessoas, então, a preocupação em aumentar a produção de alimentos. Uma solução seria aumentar a especialização[8] do trabalho[9], chamada por alguns historiadores de divisão[10] do trabalho.
Outro dado interessante é que com o passar do tempo as comunidades não conseguiam produzir tudo o que precisam, recorriam ao comércio[11], como acontece atualmente. Contudo, algumas comunidades conseguiam produzir um excedente[12].
O que era produzido “a mais” poderia ser trocado de acordo com as necessidades, todavia alguns produtos não eram “interessantes” para determinadas comunidades. Dessa forma o dinheiro[13] foi inventado para facilitar o comércio.
Essas informações nos remetem a várias reflexões, mas se “trilharmos” pela variante organização do trabalho, encontraremos ao longo da história muitas pessoas trabalhando, no entanto poucas eram especializadas, dessa maneira começava a separação entre o trabalho intelectual[14] e o trabalho manual[15], embora possamos inferir que não existe um trabalho inteiro nas condições descritas, mas aos poucos as pessoas foram se especializando, ou seja, assumindo papéis na comunidade.
Foi usado o trabalho dividido dessa forma para ilustrar melhor os privilégios que um acumulava em relação ao outro e, em conseqüência, costumavam ter uma vida mais “confortável”. Principalmente porque, antigamente, os conhecimentos poderiam ser passados de pai para filho e as decisões passaram a ser privilégio de uma minoria de pessoas especializadas. Quando do falecimento do pai, o filho é que era o “herdeiro legítimo”, independente de sua competência e habilidade.
Embora possamos acrescentar que nas sociedades humanas existiam e ainda existem muitos tipos diferentes de família[16] e, como conseqüência, valores. Podemos verificar que durante o período estudado[17] os homens tinham mais direitos em relação à mulher.
Mas, também, nessa época, as famílias começavam a crescer e as aldeias... Dessa forma, as aldeias[18] começam a ser diferentes em riqueza e começa a noção, mesmo que não explicita, de propriedade privada.
O Estado surgia para controlar e administrar o que fosse público, bem como interferia na divisão do trabalho, nas obras públicas e nos impostos[19] e quem não o obedecia era punido[20]. Muitas vezes a violência[21] “fazia parte” do Estado, havendo, assim, uma grande modificação desde as comunidades primitivas[22]. As leis passam a serem elaboradas pelo Estado, podendo ser usada para que os “ricos” fossem favorecidos em relação aos “pobres”. A criação do Estado, também, seria a necessidade da organização das forças militares para a guerra. Uma mudança começava a ser “vista”, a hierarquização[23]. Outra mudança era o acúmulo de riquezas, que poderia ser confundida com o dinheiro de quem administrava, isto é, poderia haver apropriação de dinheiro público, podendo o Estado dar garantias de uma vida mais confortável àqueles que o administravam, tudo isso com o dinheiro daqueles que contribuíam.
A comunidade primitiva começa a se transformar[24] em sociedade e com isso começa a ter característica diferente, todavia as sociedades eram diferentes[25], pois cada comunidade primitiva se transformava de acordo com o que era mais conveniente e de acordo com as suas necessidades. Entre as primeiras sociedades podiam ocorrer guerras[26], que em muitos casos serviam para aumentar as diferenças[27] entre os ricos e os pobres, entre a classe social dos nobres e as classes sociais que constituíam o povo trabalhador livre.
O modelo das sociedades ainda se modificava, contudo em muitas sociedades o chefe da família – o homem – tinha que ter a obediência da mulher e, a “esposa” não poderia manter relações sexuais antes do casamento nem durante o casamento com outros homens. O motivo era a herança, agora o homem queria reconhecer quem eram os descendentes – as famílias, maioria, tornou-se monogâmica.
Um resumo possível de tudo que foi escrito seria as atitudes dos comandantes militares que reservavam para suas famílias as melhores terras e riquezas tomadas dos inimigos. Os humildes soldados ficavam com pouca coisa. A divisão do trabalho entre manual e intelectual, e o surgimento de um grupo com poder de mandar nos outros; o aparecimento da propriedade privada e das diferenças entre famílias ricas e pobres; a criação do Estado, que cobra impostos das comunidades e dos indivíduos do povo; a guerra enriquecendo os generais e escravizando os vencidos.

[1] Havia uma grande igualdade entre as pessoas.
[2] As terras e as riquezas não pertenciam apenas a uns poucos indivíduos. A propriedade era coletiva, isto é, as terras, os rios e tudo o que era produzido pela comunidade pertenciam aos habitantes dessa comunidade. Quando a comida era farta, todos na comunidade engordavam. Quando a comida era escassa, todos emagreciam, todos sofriam do mesmo jeito. Era hereditária.
[3] A palavra “comunidade” lembra que havia uma cooperação e uma igualdade muito grande entre todos os indivíduos.
[4] Buscam restos de construções, ossos, cacos de vasos, pedaços de ferramentas, desenhos, restos de plantas e de animais, tudo o que possa informar como viviam as pessoas naquela sociedade.
[5] Descobriram como semear e colher o que foi plantado.
[6] As comunidades cavavam a terra para levar a água de um grande rio até a área plantada.
[7] Essas obras de controle da água eram chamadas de hidráulicas.
[8] Os especialistas tinham mais facilidade para aperfeiçoar suas ferramentas e melhorar a qualidade de seus produtos.
[9] Cada grupo de pessoas passou a dedicar grande parte do seu tempo a um certo tipo de tarefa. Por exemplo, uns se dedicavam à caça, outros, à pesca.
[10] Houve sociedades em que o desenvolvimento da divisão do trabalho representou um notável avanço tecnológico.
[11] Em algumas datas da história precisavam das navegações para trazer os produtos para serem comercializados.
[12] Em épocas passadas algumas comunidades trocavam os produtos excedentes, isto é, sempre que fosse possível e houvesse interesse na troca. Esse escambo era o que chamamos hoje de comércio.
[13] Era possível comprar um número maior de mercadoria, bem como diferentes produtos.
[14] O trabalho intelectual necessita especialmente do empenho mental.
[15] O trabalho manual é aquele que exige principalmente o esforço físico e a habilidade com as mãos.
[16] Monogâmica, poligâmica (um homem com várias esposas), poliândrica (uma mulher com vários maridos), entre outros tipos.
[17] Estamos estudando as transformações que aconteceram em algumas sociedades na África e na Ásia há milhares de anos.
[18] Cada família e cada aldeia já não eram mais tão conhecidas e tão amiga das outras famílias e aldeias. Antes, um ajudava o outro. Agora, cada grupo pesava cada vez mais em si mesmo. Uma enchente ou uma praga de gafanhotos atingia as plantações de uma família e não a da outra. Um grupo inimigo roubava e destruía as plantações neste lado e não naquele.
[19] As pessoas eram obrigadas a fazer algumas coisas em favor do Estado. Também era comum trabalhar de graça nas obras públicas. Pagamento de taxas. Tributos em dinheiro e em produtos.
[20] Quando os pobres se revoltavam, o Estado usava as leis e as tropas para reprimir as rebeliões populares.
[21] A violência do Estado era aplicada contra todos aqueles que lhe desobedecessem.
[22] Na comunidade primitiva, a justiça era feita pelo diálogo e pelo direito de cada um dar sua opinião.
[23] Os funcionários superiores mandavam nos funcionários subalternos. Os funcionários dos mais altos postos eram os nobres. Os nobres tornavam-se ministros, comandantes, e reis.
[24] Para alguns historiadores, o fim da comunidade primitiva foi inevitável porque era a única saída para aumentar a produção econômica da sociedade. Outros historiadores discordam. Dizem que o surgimento de uma sociedade com o Estado, propriedade diferenças sociais foi apenas uma das muitas possibilidades escolhidas pela humanidade. Ou seja, uns povos optaram por esse caminho, outros povos preferiram outra solução. Para esses historiadores, cada civilização encontrou seu próprio jeito de dissolver a comunidade primitiva.
[25] Houve sociedades em que o Estado era o dono de quase todas as terras. Na antiguidade era comum haver sociedades em que as comunidades aldeãs ainda possuíam terras. A comunidade aldeã era formada por uma aldeia em que a terra pertencia a toda a comunidade. Apesar de todos os progressos, a produção econômica das primeiras civilizações, lá por volta de 3000 ou 2000 a.C., ainda era muito frágil. Sociedades consideravam os homens superiores as mulheres. Muitas vezes, a caça era ruim, a pesca era um fracasso, e o que salvava as comunidades da fome era o trabalho das mulheres de plantar e depois armazenar a comida. Na hora de tomar as decisões da comunidade, os homens e mulheres tinham o direito de dar opinião. Os homens não mandavam nas mulheres. Há milhares de anos, em algumas regiões como o Egito, a Mesopotâmia, a Índia e a China, surgiram as primeiras civilizações que utilizaram a escrita, as ferramentas de metal, os canais de irrigação, as cidades e os palácios eram organizados por um Estado controlado pelos ricos nobres.
[26] Por meio da guerra, um povo obtinha as riquezas de outro povo e escravizava os inimigos.
[27] As classes sociais começam a surgir, os pobres eram as imensas maiorias, os ricos não precisavam trabalhar tanto e os nobres tinham os luxos sustentados pelos pobres.